sábado, 2 de junho de 2012

Amor, Você e Poesia Brasileira



Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?

Carlos Drummond de Andrade

Com muito amor damos por aberto o blog da página Poesia Brasileira, aqui, junto com os nossos colaboradores, esperamos levar até você muita poesia brasileira, manifestada através de todas as linguagens.
Até o dia 12 de junho o nosso tema é o amor, em todas as suas formas, o amor que aconteceu, o que não aconteceu, o amor que acabou, o eternos amor. O amor, seja como for, é o amor.
Esse espaço também é aberto para você, comente, compartilhe, envie notícias, informações, estudos, ensaios, artigos, músicas, pinturas, curiosidades, enfim, o blog é nosso.

Fiquem com o antológico Soneto de Fidelidade, acredito que um dos poemas de amor mais lembrado em nosso País.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes